"Vamos, não chores
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.
Perdeste o melhor amigo.
(...)
Algumas palavras duras,
em voz mansa, te goupearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
(...)
Tudo somado, devias
Precipitar-se, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho."
Carlos Drummond de Andrade.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
"- Não farei um movimento para afastar os cadáveres que juncam as águas do lago não farei um movimento para conduzir o barco em direção ao sul pois sei que existem ventos e que os ventos sopram sei que se uma folha bater de leve no meu rosto eu a esmagarei feito mosca e sei que se houver cirandas pelas margens eu matarei as crianças sei do meu ser de faca sei do meu aprendizado de torpezas sei do que há no fundo desse lago e sei que você não o tocará porque a superfície não o revela e será mais fácil para o seu gesto afastar os cadáveres que juncam as águas do teu próprio lago e movimentar o barco a favor do vento e acolher as folhas que baterem em teu rosto e ouvir as cirandas e sorrir para as crianças paradas nos beirais sei da tua forma de chegar à morte sei da minha forma de chegar à vida e sei que não te tocarei no campo de trigo atrás de tua face e sei que não tocarás na ponta de faca atrás da minha face e sei do nosso mútuo assassinato e sei da nossa insaciável fome de carne humana porém te digo que este meu ser inaparente este meu ser é de faca e não de flor."
Mas apenas e antigamente guirlandas sobre o poço, Caio Fernando Abreu.
Mas apenas e antigamente guirlandas sobre o poço, Caio Fernando Abreu.
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