Primeiras palavras da biografia da escritora Clarice Lispector, por Benjamin Moser:
"Limpa tuas vestes e, se possível, que todas as peças de roupa sejam brancas, pois isso ajuda a conduzir o coração ao temor de Deus e ao amor a Deus. Se é noite, acende muitas luzes, até que tudo fique claro. Toma então em tuas mãos a pena, tinta e uma mesa e lembra que estás destinado a servir a Deus na alegria do coração. Agora começa a combinar umas poucas ou muitas letras, a permutá-las e combiná-las até que teu coração se aqueça. Então atenta para os movimentos delas e para o que podes extrair delas ao movê-las. E quando sentires que teu coração já está aquecido e quando vires que pelas combinações de letras podes apreender novas coisas que por ti próprio ou pela tradição humana não terias como saber e quando portanto estiveres preparado para receber o influxo do poder divino que flui para o teu interior, então põe todo o teu pensamento mais verdadeiro a imaginar em teu coração o Nome e Seus anjos exaltados como se eles fossem seres humanos sentados, ou em pé, à tua frente."
Abraham Abulafia
(1240 – depois de 1290)
terça-feira, 20 de maio de 2014
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
Zitat
"Wer nicht von dreitausend Jahren
sich weiß Rechenschaft zu geben,
bleib im Dunkeln unerfahren,
mag von Tag zu Tage leben."
sich weiß Rechenschaft zu geben,
bleib im Dunkeln unerfahren,
mag von Tag zu Tage leben."
terça-feira, 17 de setembro de 2013
Cheiro de chuva em setembro
A chuva em si não tem
cheiro, mas ela o provoca. Mesmo em Belo Horizonte, uma sala da
biblioteca da faculdade de letras, o cheiro vindo de fora invade. É
inebriante. As chuvas costumam trazer prejuízos e perdas para muitas
pessoas, mas também evocam boas lembranças.
A começar por
aniversários, de minhas irmãs e minha mãe.
Quantos deles foram
passados sob o som da chuva, misturado ao de “É o tchan”? Ou
então sob a queda de energia e trovões, que entorpeciam as
crianças?
Os cachorros trazidos
para dentro de casa, medrosos. Ou entregues à sorte, com um pequeno
pano sob a escada da horta para se enroscarem – tentativa inútil
de os proteger.
O jogo de rouba-monte
aprendido da bisavó, à luz das velas na copa da casa. Ou os
inúmeros castelinhos de cartas, construídos no chão da sala.
Desmoronavam, derrubados por uma corrente de vento ou uma pisada mais
forte.
O natal com a piscina
de plástico, cheia de balões coloridos: surpresa do papai-noel, que
sob a chuva, impediu o coração de criança de voar pela boca.
Enfim, lá fora a estação
chegou...
Alguém aí empresta um guarda-chuva?
domingo, 17 de março de 2013
A linha geral (as máquinas de imagens)
"Assegurando maquinalmente a multitransmissão em tempo real da imagem (não importa que imagem), a televisão, no fundo, transformou o espectador - que, no escuro e no anonimato da sala de cinema, tinha ao menos uma forte identidade imaginária - numa espécie de fantasma indiferenciado, a tal ponto eclipsado pela luz do mundo que se tornou completamente transparente, invisível, não existe como tal (ele é, na melhor das hipóteses, uma cifra, um alvo, um índice de audiência): uma onipresença fictícia, sem corpo, sem identidade e sem consciência.".
- Philipe Dubois
- Philipe Dubois
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Nudez
Benoît-Louis Prévost
l'Encyclopédie de Diderot et d'Alambert
A Filosofia e a Razão arrancam o véu da Verdade, que irradia luz.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
INTERROGAÇÃO
A Guido Batelli
Neste tormento inútil, neste empenho
De tornar em silêncio o que em mim canta,
Sobem-me roucos brados à garganta
Num clamor de loucura que contenho.
Ó alma de charneca sacrossanta,
Irmã da alma rútila que eu tenho,
Dize pra onde vou, donde é que venho
Nesta dor que me exalta e me alevanta!
Visões de mundos novos, de infinitos,
Cadências de soluços e de gritos,
Fogueira a esbrasear que me consome!
Dize que mão é esta que me arrasta?
Nódoa de sangue que palpita e alastra...
Dize de que é que eu tenho sede e fome?!
Por Florbela Espanca.
domingo, 29 de abril de 2012
Ciência Sem Fronteiras
Um dia de crise com relação ao curso e de grande revolta com o governo brasileiro, rs. Há um programa governamental chamado "Ciência Sem Fronteiras" que planeja conceder 100.000 bolsas de estudo para alunos de universidades brasileiras cursarem nas melhores instituições de ensino do mundo... O programa é claramente voltado às ciências exatas e excluem deriberadamente as ciências humanas. Para ser objetivo, o que desanima é:
1) O volume extraoridinário empregado para esse programa: mais de 3 bilhões de reais. As universidades escolhidas também: nos editais da UFMG, por exemplo, não costumam haver universidades da Austrália, China, Coréia do Sul... Universidades de ponta! E muito menos com bolsas integrais...A maioria dos intercâmbios disponíveis exigem que os estudantes paguem passagem, seguro e estadia no país hospedeiro... O que adianta esse tipo de programa? Para a formação de uma elite, somente... O volume do Ciência sem Fronteiras é excepcional, nunca houve um programa desta magnitude para a formação de profissionais e estudantes brasileiros no exterior, e quando aparece, pá: é somente com a exclusão das ciências humanas. Aliás aqui deixo uma crítica também ao fato de que as ciências humanas no Brasil são extremamente voltadas ao pensamento ocidental (Europa-EUA); escolas de pensamentos e estudos de casos de outros países hoje ainda não têm vez. Será que não temos nada a aprender do Oriente, por exemplo? O curso de Ciências Sociais na UFMG mesmo não tem sequer uma disciplina obrigatória de Sociologia Brasileira... HAHAHAHA... Só para o hilário da questão.
2) O desconhecimento, ou a ignorância por parte dos criadores, de que não existem ciências puras, de que tudo é um diálogo. As ciências sociais (antropologia, sociologia, ciência política, relações internacionais...) dialogam com questões muito concretas e objetivas, como por exemplo saneamento, infraestrutura, geoprocessamento, fármacos, mercado financeiro, sistemas eleitorais, monitoramentos de redes sociais, tecnologias da informação em geral, acessibilidade e novas tecnologias computacionais, só para citar algumas...
3) Para além disso, o que se esperar de um país que sinaliza querer acabar com a pobreza e negligencia a construção científica da Sociologia, por exemplo? O que esperar de um país que é a sexta economia mundial e desvaloriza o profissional das humanas, que tem como objeto de estudo as direções que tomam a vida política e social da nação (que por sua vez interfere na vida cotidiana das pessoas, ora!). Pão para comer, lugar para se morar, ferrovias e rodovias são indispensáveis para a nossa vida: mas qual o sentido delas? Para onde devem ir, porquê e qual o sentido das decisões tomadas no país? Essas respostas o profissional de Ciências Sociais tem muito mais acúmulo, competência e legitimidade para responder do que profissionais da área de exatas...Daí a grande chance perdida de diversificação no pensamento e avanço na construção científica do país com a exclusão dessa área de programas de capacitação..
Para terminar, Après-Moi, da Regina Spektor.
"Be afraid of the lame, they'll inherit your legs
Be afraid of the old, they'll inherit your souls
Be afraid of the cold, they'll inherit your blood
Après-moit, le déluge
After me comes the flood..."
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