domingo, 24 de julho de 2011

Fragilidade

Nossa. Havia já muito tempo que eu não me sentia tão assim, à flor da pele, a explodir! Suportar o peso da existência exige muita paciência, exige muito compromisso, exige toda uma moral e um comprometimento que sinceramente às vezes está além de mim. Talvez suportar não é a palavra certa, eu descubro que eu não quero ter as morais que me são exigidas a todo o instante. Eu quero crescer como uma árvore bruta e radiante, receber os raios de sol e refleti-los mesmo que esteja com as raízes em solo seco e trincado. Que se foda, eu racharei até a mais teimosa das argilas do serrado, eu quero a sequência, ser cobra sucuri nadando contra o rio caudaloso, ser humano e descobrir o mundo de forma livre, sem amarras. Não quero amarras!
Porém há uma racionalidade construída com o meu desejo de liberdade - racionalidade diferente dessa dominante - que me envolveu de forma perniciosa e tenta me levar à destruição. É um caminho aberto que escolhi a princípio e pavimentei a olhos cegos...Até me ver a frente de um precipício e SINCERAMENTE: quero voltar. Será essa a única trilha capaz de me tirar da estrada principal, esburacada e fétida e encardida que a grande maioria dos meus conterrâneos estão felizes a caminhar? Eu quero uma trilha contínua, quero a travessia! Não quero ser tragado por uma força alheia a mim, jamais! O que eu mais quero é ser dono dos meus passos, ser realmente livre e feliz. Não me importarei em dar passos maiores que os pés, quero mais é tentar voar, rir dos tombos e praticar meu equilíbrio. Não quero me entregar à tudo o que está construído e que eu não concordo e não quero manter - nem com um olhar, nem com um aceno, e muito menos com conivência no meu mais íntimo ser. Há falta de sentido neste dia a dia, nestas cidades, mas não quero me abandonar a veredas perigosas, capazes de explodir minha frágil sanidade. Quero voltar a ser o dono de mim e da minha tristeza - abandoná-la sempre que possível, com um grande cuspe em sua cara. Quero deixar de ser tão sensorial, tão suscetível a pensamentos oblíquos - quero toda a força para jogar fora aquilo que me afunda e pesa nas minhas costas.