terça-feira, 17 de setembro de 2013

Cheiro de chuva em setembro



A chuva em si não tem cheiro, mas ela o provoca. Mesmo em Belo Horizonte, uma sala da biblioteca da faculdade de letras, o cheiro vindo de fora invade. É inebriante. As chuvas costumam trazer prejuízos e perdas para muitas pessoas, mas também evocam boas lembranças.
A começar por aniversários, de minhas irmãs e minha mãe.
Quantos deles foram passados sob o som da chuva, misturado ao de “É o tchan”? Ou então sob a queda de energia e trovões, que entorpeciam as crianças?
Os cachorros trazidos para dentro de casa, medrosos. Ou entregues à sorte, com um pequeno pano sob a escada da horta para se enroscarem – tentativa inútil de os proteger.
O jogo de rouba-monte aprendido da bisavó, à luz das velas na copa da casa. Ou os inúmeros castelinhos de cartas, construídos no chão da sala. Desmoronavam, derrubados por uma corrente de vento ou uma pisada mais forte.
O natal com a piscina de plástico, cheia de balões coloridos: surpresa do papai-noel, que sob a chuva, impediu o coração de criança de voar pela boca.

Enfim, lá fora a estação chegou...
Alguém aí empresta um guarda-chuva?