A chuva em si não tem
cheiro, mas ela o provoca. Mesmo em Belo Horizonte, uma sala da
biblioteca da faculdade de letras, o cheiro vindo de fora invade. É
inebriante. As chuvas costumam trazer prejuízos e perdas para muitas
pessoas, mas também evocam boas lembranças.
A começar por
aniversários, de minhas irmãs e minha mãe.
Quantos deles foram
passados sob o som da chuva, misturado ao de “É o tchan”? Ou
então sob a queda de energia e trovões, que entorpeciam as
crianças?
Os cachorros trazidos
para dentro de casa, medrosos. Ou entregues à sorte, com um pequeno
pano sob a escada da horta para se enroscarem – tentativa inútil
de os proteger.
O jogo de rouba-monte
aprendido da bisavó, à luz das velas na copa da casa. Ou os
inúmeros castelinhos de cartas, construídos no chão da sala.
Desmoronavam, derrubados por uma corrente de vento ou uma pisada mais
forte.
O natal com a piscina
de plástico, cheia de balões coloridos: surpresa do papai-noel, que
sob a chuva, impediu o coração de criança de voar pela boca.
Enfim, lá fora a estação
chegou...
Alguém aí empresta um guarda-chuva?
