domingo, 29 de abril de 2012

Ciência Sem Fronteiras

Um dia de crise com relação ao curso e de grande revolta com o governo brasileiro, rs. Há um programa governamental chamado "Ciência Sem Fronteiras" que planeja conceder 100.000 bolsas de estudo para alunos de universidades brasileiras cursarem nas melhores instituições de ensino do mundo... O programa é claramente voltado às ciências exatas e excluem deriberadamente as ciências humanas. Para ser objetivo, o que desanima é:

1) O volume extraoridinário empregado para esse programa: mais de 3 bilhões de reais. As universidades escolhidas também: nos editais da UFMG, por exemplo, não costumam haver universidades da Austrália, China, Coréia do Sul... Universidades de ponta! E muito menos com bolsas integrais...A maioria dos intercâmbios disponíveis exigem que os estudantes paguem passagem, seguro e estadia no país hospedeiro... O que adianta esse tipo de programa? Para a formação de uma elite, somente... O volume do Ciência sem Fronteiras é excepcional, nunca houve um programa desta magnitude para a formação de profissionais e estudantes brasileiros no exterior, e quando aparece, pá: é somente com a exclusão das ciências humanas. Aliás aqui deixo uma crítica também ao fato de que as ciências humanas no Brasil são extremamente voltadas ao pensamento ocidental (Europa-EUA); escolas de pensamentos e estudos de casos de outros países hoje ainda não têm vez. Será que não temos nada a aprender do Oriente, por exemplo? O curso de Ciências Sociais na UFMG mesmo não tem sequer uma disciplina obrigatória de Sociologia Brasileira... HAHAHAHA... Só para o hilário da questão.
2) O desconhecimento, ou a ignorância por parte dos criadores, de que não existem ciências puras, de que tudo é um diálogo. As ciências sociais (antropologia, sociologia, ciência política, relações internacionais...) dialogam com questões muito concretas e objetivas, como por exemplo saneamento, infraestrutura, geoprocessamento, fármacos, mercado financeiro, sistemas eleitorais, monitoramentos de redes sociais, tecnologias da informação em geral, acessibilidade e novas tecnologias computacionais, só para citar algumas... 
3) Para além disso, o que se esperar de um país que sinaliza querer acabar com a pobreza e negligencia a construção científica da Sociologia, por exemplo? O que esperar de um país que é a sexta economia mundial e desvaloriza o profissional das humanas, que tem como objeto de estudo as direções que tomam a vida política e social da nação (que por sua vez interfere na vida cotidiana das pessoas, ora!). Pão para comer, lugar para se morar, ferrovias e rodovias são indispensáveis para a nossa vida: mas qual o sentido delas? Para onde devem ir, porquê e qual o sentido das decisões tomadas no país? Essas respostas o profissional de Ciências Sociais tem muito mais acúmulo, competência e legitimidade para responder do que profissionais da área de exatas...Daí a grande chance perdida de diversificação no pensamento e avanço na construção científica do país com a exclusão dessa área de programas de capacitação..

Para terminar, Après-Moi, da Regina Spektor.

"Be afraid of the lame, they'll inherit your legs
Be afraid of the old, they'll inherit your souls
Be afraid of the cold, they'll inherit your blood
Après-moit, le déluge
After me comes the flood..."



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