O que sinto é como boiar no alto mar ao sabor das ondas e da vertigem. É a solidão total. É um estado intermediário entre sonhar acordado e ser possuído pela realidade. É querer chorar a cada segundo que passa, não só por sentir que ele passa, mas por não ver nada mudar. Tudo continua o mesmo. O que muda é o vulcão dentro de mim, que cospe lavas de forma mais rápida ou menos rápida. Porém sempre com uma dificuldade incrível. Procuro ar, ando de forma leve e imprecisa, e acho o assento na varanda. Ver é desnecessário, já conheço de cor a paisagem de cercas elétrificadas, muros altos, cimento concetro cimento concreto. Telhas queimando ao sol, cachorros mancando errantes ao sol, a poeira, os fios, o lixo, o reboque.. O colonialismo do início do século, como sinalisaria Lygia Fagundes Telles. Ouvir também é desnecessário. Eu quero é o meu silêncio, o mais profundo, e o silêncio do outro que entende. Cadê? Não é um desejo, é uma necessidade encontrar esse ser que seja cúmplice, que saiba sentir junto o que for. Seja o uivo do vento, que estremece, ou a sinfonia das gotas da chuva tocando o chão.
Eu quero me libertar da miséria humana.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário