domingo, 17 de janeiro de 2010

"Mas o pensamento voou para longe.

Uma vez, há muitos, muitos anos um menino olhou a vida com olhos interrogadores. Tudo era mistério em torno dele. Era numa casa grande. O arvoredo que a cercava amanhecia sempre cheio de cantos de pássaros. O mundo não terminava ali no fim daquela rua quieta, que tinha um cego que tocava concertina, um cachorro sem dono que refestelava ao sol, um português que pelas tardinhas se sentava à frente de sua casa e desejava boa tarde a toda a gente. Não. O mundo ia além. Além do horizonte havia mais terras, e campos, e montanhas, e cidades, e rios e mares sem fim. Dava na gente vontade de correr mundo, andar nos trens que atravessam as terras, nos vapores que cortam os mares. Andar... Nos olhos do menino havia uma saudade impossível, a saudade de uma terra nunca vista. Um dia - quem sabe? - um dia um vento bom ou mau passa e leva a gente. Um dia..."

Clarissa, página 24 - Érico Veríssimo

2 comentários:

R. Avancini disse...

costumo chamar esse vento de sonho. ele que leva a gente assim.

Nati disse...

Hey,Luan!Try to write in English,at least sometimes :)))
Natalia